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01 jun. Atualizado em: 01/06/2012 18:30h
Categoria: [Notícias]

Dom Pedro Casaldáliga comemora 60 anos de ordenação

Para boa parte dos padres católicos, a data da ordenação sacerdotal é mais importante do que a do nascimento. Na Ordem Claretiana, congregação religiosa fundada no século XIX, o valor simbólico dessa data é ainda maior. Por isso vale a pena registrar aqui os 60 anos da ordenação do missionário catalão Pedro Casaldáliga, comemorados nessa quinta-feira, 31 de maio de 2012.

Nomeado bispo em 1971 e enviado para o interior do Brasil para a Prelazia de São Félix, no Mato Grosso, ele assumiu a defesa dos índios que, na época, viviam o terror de serem expulsos de suas terras por grandes projetos agropecuários financiados pelo governo e multinacionais, por meio da antiga Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

Uma carta aberta que ele publicou em 1971, na qual denunciou os problemas enfrentados pelos trabalhadores rurais, é considerada o documento precursor das denúncias do trabalho escravo que resultaram na PEC 438/2001, a PEC do Trabalho Escravo, aprovada no dia 22 de maio pelo  Congresso Nacional.

Defensor da Teologia da Libertação, ajudou a criar o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e o Conselho Pastoral da Terra (CPT). Suas causas eram extraordinariamente difíceis naqueles anos. Passou a ser encarado pelos militares como inimigo nacional e mais de uma vez esteve prestes a ser expulso do País. Enfrentava resistências até mesmo entre colegas mais conservadores.

Ele só não foi expulso porque o papa Paulo VI deixou claro que não aceitaria a expulsão de um príncipe da Igreja. Mesmo assim continuou sofrendo ameaças e viu um de seus principais assessores ser assassinado a tiros. Tornou-se aos poucos um dos símbolos da resistência ao arbítrio da ditadura dos militares, da perseguição das multinacionais e da defesa dos mais fracos.

Aposentou-se em 2005, com 77 anos. Mas continuou a viver em São Félix do Araguaia. Pobremente, como assinalou o escritor Frei Betto em artigo daquele época, no qual o chamou de santo e herói. Na Espanha, está em andamento um projeto destinado a transformar sua vida em minissérie de TV.

Quem é dom Pedro?

Bispo católico nascido em 1928, na região da Catalunha, (Espanha), Dom Pedro Casaldáliga Pia ingressou aos 15 anos na Congregação dos Missionários Claretianos, sagrando-se sacerdote em 1952. Lá, trabalhou como diretor de Seminário, de organizações juvenis e com comunidades de subúrbios. Dirigiu a revista Católica Íris e escreveu para jornais e revistas, programas de rádio e até para o teatro.

Em 1968, mudou-se para o Brasil, sendo nomeado bispo prelado de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, em 1971, pelo Papa Paulo VI. Em 2005, tornou-se bispo emérito do município. Na região, onde os conflitos fundiários são constantes, ajudou a fundar a Comissão Pastoral da Terra (CPT), organização que deu nova dimensão à questão agrária.

Adepto da Teologia da Libertação, corrente teológica baseada no marxismo, Dom Pedro foi alvo de ameaças e muito criticado por setores tradicionais da Igreja. Durante a ditadura militar, foi alvo de cinco processos de expulsão do país e foi defendido pelo arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, que o ajudou a permanecer no Brasil.

Casaldáliga é poeta e prosador, e escreve em catalão, castelhano e português. Entre as suas obras, destacam-se: Clamor Elemental, Cantigas menores, Missa da Terra sem Males e Missa dos Quilombos, esta última musicada por Pedro Tierra, Milton Nascimento e Martin Coplas.

Recebeu títulos e prêmios no Brasil e no exterior, entre eles, o Prêmio Nacional Justiça e Paz da Espanha e o Prêmio Jornalístico “Vladimir Herzog”, ambos em 1988. É Doutor Honoris Causa na Unicamp e na Universidade Federal de Mato Grosso.

Fontes: Agência Estado e Ministério da Cultura

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